domingo, 5 de outubro de 2025
sábado, 4 de outubro de 2025
Por que sentimos tontura ao girar?
A tontura é uma sensação comum, descrita como desequilíbrio, instabilidade ou
como se o mundo estivesse girando ao redor da pessoa. Ela pode ter várias
causas, mas uma das mais conhecidas acontece quando giramos o corpo rapidamente
— como em uma brincadeira de parque, uma dança ou um esporte.
Quando realizamos um movimento de rotação, o corpo passa por um fenômeno
fisiológico: dentro do ouvido interno existe um sistema chamado aparelho
vestibular, formado por canais semicirculares cheios de líquido (endolinfa).
Esse líquido se movimenta conforme a rotação da cabeça e envia informações ao
cérebro sobre o movimento. O problema é que, quando paramos de girar, o líquido
continua em movimento por inércia, como se ainda estivéssemos rodando. Essa
informação “atrasada” entra em conflito com o que os olhos veem (que já estão
parados), gerando a sensação de vertigem ou tontura.
Um dos sinais mais visíveis desse processo é o nistagmo pós-rotatório: um movimento involuntário dos olhos que ocorre logo após a rotação. Nesse momento, os olhos se movem de um lado para o outro, tentando se ajustar ao falso sinal de movimento vindo do ouvido interno. Esse nistagmo é, portanto, uma resposta normal do corpo, mas é ele quem contribui para a sensação desconfortável de que o mundo ainda está girando.
Para entender melhor essa resposta, cientistas usam uma medida chamada constante de tempo (Tc). A Tc representa o tempo necessário para que a velocidade da fase lenta do nistagmo diminua em cerca de 67% do valor inicial. Em outras palavras, mostra quanto tempo o sistema leva para "se acalmar" depois que a rotação termina. Quanto mais curta for a Tc, mais rápido o corpo consegue reduzir o nistagmo e, consequentemente, a tontura.
Pesquisas recentes mostraram diferentes estratégias que ajudam a reduzir a vertigem. O estudo de Kim et al. (2013) observou que a fixação visual após a rotação (olhar para um ponto fixo quando o movimento termina) ajuda a inibir o nistagmo e diminuir a tontura. Já tentar focar durante a rotação não traz o mesmo efeito, porque o nistagmo pós-rotatório é consequência do movimento do líquido no ouvido após o giro.
De forma complementar, o estudo de Scarli et al. (2020) investigou a técnica de
spotting, bastante usada por bailarinos, que consiste em fixar os olhos em um
ponto de referência a cada volta. O curioso é que o spotting não mostrou efeito
consistente durante giros ativos (quando a pessoa gira o próprio corpo). Porém,
nos giros passivos, feitos em uma cadeira rotatória — onde o participante é
girado sem controlar o movimento — o spotting trouxe benefícios claros: menor
sensação de tontura e melhora da estabilidade postural após a rotação. Isso
indica que a eficácia do spotting depende do tipo de giro, funcionando melhor quando
a pessoa não tem o controle ativo do movimento.
👉 Em resumo: a tontura após um giro acontece porque o ouvido interno
continua “informando movimento” mesmo quando o corpo já parou. O nistagmo
pós-rotatório é o reflexo visível desse processo, e a constante de tempo (Tc) é
a medida usada para avaliar o tempo de recuperação. Estratégias visuais como a
fixação pós-rotatória (Kim et al., 2013) e o spotting em giros passivos (Scarli et al., 2020) são recursos que ajudam
a reduzir a tontura e a melhorar a estabilidade.
Referências
KIM, Min-Beom et al. Post-rotatory visual
fixation and angular velocity storage habituation are useful to improve
post-rotatory vertigo. Acta Oto-Laryngologica, v. 133, n. 11, p. 1154–1160,
2013.
SCARLI, Andrea; STRAPPAZZON, Giovanni;
MANZONI, Dino G. How does the spotting technique affect dizziness and postural
stability after whole-body rotations in dancers? Frontiers in Psychology, v.
11, 2020.
✍️ Rodrigo Delano Branco de Carvalho – Fisioterapeuta (CREFITO 4). Diretor da
Universidade de Dança de Salão, referência nacional e internacional em Zouk
Brasileiro e Lambada.
Mestrando em Ciências Fonoaudiológicas – Faculdade de Medicina/UFMG,
pesquisando estratégias de equilíbrio humano. Integrante do GEDAM (Grupo de
Estudos de Aprendizagem Motora) e do LAM (Laboratório de Análise do Movimento)
da UFMG.
quinta-feira, 24 de outubro de 2024
Como e onde surgiu o Termo Zouk Brasileiro ?
Como surgiu o Termo Zouk Brasileiro?????????
Em 2006, durante o Congresso Internacional **Minas Zouk** em Belo Horizonte, um marco importante foi alcançado para o cenário da dança no Brasil: o surgimento do termo **"zouk brasileiro"**. Naquele evento, profissionais renomados, como Luiz Florião, Israel Szerman, Paulinha Leal, Philip Miha, Ana Miha, William Teixeira, Adriana D'Arc, Armandinho e Patica Borges, participaram de uma mesa redonda cujo objetivo era definir um nome apropriado para representar o estilo único de zouk desenvolvido no Brasil.
Na época, havia mais de vinte denominações usadas para descrever o zouk, como "zouk love," "RNB zouk," "tribe zouk," "NG zouk," "zouk lambada," entre outras. Essa diversidade de nomes gerava dois problemas principais. Primeiro, ela enfraquecia o reconhecimento da nacionalidade brasileira desse estilo, tirando o crédito do Brasil como local de desenvolvimento. Em segundo lugar, o termo "zouk" isoladamente gerava insatisfação entre comunidades africanas, pois era visto como uma apropriação de um nome associado à sua dança e música, originalmente das ilhas de Guadalupe e Martinica.
A mesa redonda realizada no evento propôs três termos: **"zouk do Brasil," "zouk lambada"** e **"zouk brasileiro"**. A última opção foi inspirada no conceito de "tango argentino," que, assim como o zouk, teve origem como uma palavra de outra cultura (no caso do tango, originária da Espanha). Essa analogia justificava a criação de um termo que assegurasse ao Brasil a nacionalidade da dança, conectando-a ao estilo musical zouk, que havia influenciado fortemente essa fase.
Após votação aberta entre os presentes, o termo "zouk brasileiro" foi escolhido. Desde então, ele passou a ser utilizado para representar a dança originada no Brasil, consolidando sua identidade e respeitando as influências culturais da música zouk. Embora o termo tenha sido inicialmente adotado de forma gradual, sua popularização foi impulsionada por dois acontecimentos: a criação do **Brazilian Zouk Dance Council (BZDC)** em 2014, e a palestra "História da Lambada e do Zouk Brasileiro," ministrada por Rodrigo Delano no Rio Zouk Congress em 2014, com tradução para o inglês feita pela professora Renata Peçanha. Essas iniciativas ajudaram a fortalecer o uso e o reconhecimento de "zouk brasileiro" mundialmente, assegurando ao Brasil um lugar de destaque na história dessa dança.
sábado, 25 de março de 2023
Lambada - dança e música - parte 01
A dança e a
música lambada são originárias do Pará, no norte do Brasil, porém é muito
importante separarmos a dança da música. A música nasce de uma fusão entre guitarrada,
carimbó e uma gama de ritmos da América Central, pois nessa época as rádios do
Norte do pais tocavam merengue, salsa, cumbia, zouk, soca e kompa. Em 1976, o
Cantor Pinduca nomeia pela primeira vez uma música autoral de Lambada, dentro
do álbum "No Embalo do Carimbó e do Sirimbó “, em 1978, Mestre Vieira
Lança um álbum completo destinado a Lambada. No início da década de 80, a lambada
se espalha por todo o Nordeste e posteriormente ao Sudeste. Por sua vez, a
dança é uma mistura inicialmente do carimbó, merengue e do brega, e como a música,
a dança também ganha o nordeste e depois o sudeste do país. Na década de 80, acontecem
dois fatos: a dança ao chegar à Bahia, Porto Seguro e Arraial D´ Ájuda, ganha
um repertório variado de movimentos mais expansivos com muitos giros (antes era
proibido descolar do seu par), movimentos vigorosos de cabeça(chicote) e
grandes cambrés, foi quando um produtor francês Olivier Lorssac, que estava na
cidade gravando um documentário , se apaixonou pela dança e reunindo músicos de várias nacionalidades
tendo a brasileira Loalwa Braz como vocalista, lança em 1989 o grupo musical
Kaoma com a música "Chorando se
foi", a música vira uma febre nacional e mundial. A dança também vira uma
febre e todos passam a dançar lambada, vários outros artistas gravam lambada
como Beto Barbosa, Luís Caldas, Sidney Magal. A lambada em 1990 vira até
abertura de novela “Rainha da Sucata” dando mais força ao movimento. A partir
de 1992 a lambada começa a perder força na mídia pressionada pelo surgimento de
um novo movimento o Axé MUSIC. Atualmente a lambada volta a crescer mundialmente
enquanto dança no Brasil e no mundo.
Rodrigo Delano
Professor e pesquisador das danças brasileiras
sábado, 26 de novembro de 2022
Physiozouk -

Definição:
São as técnicas baseadas na anatomia e biomecânica corporal
(alavancas, planos e eixos), para realizações de movimentos do zouk brasileiro
(lambada) de uma forma saudável e prazerosa.
Lema
“Dance com conforto e prazer!!!”
TMPC - técnica do movimento passivo de cabeça
Cambre torácico – o centro de rotação está na
coluna torácica na altura do esterno, tanto para cambres em flexão extensão e
flexão lateral; os pés na base natural (geralmente largura dos quadris) os
joelhos estendidos
Chicote – flexão ativa do tronco – para frente ou
lateral -com ativação também da musculatura cervical com retorno a posição ortostática
com intensidade e ativação da musculatura cervical e do tronco
Pisada de Ataque – o centro de gravidade esta
levemente deslocado para frente, a cadeia muscular posterior (glúteos,
isquiotibiais, gastrocnêmico) ativados constantemente; o passo é projetado, ou
seja maior do que o passo natural utilizando o mecanismo do tornozelo ao invés
do joelho
Pivot – girar sobre a planta do pé(unilateralmente)
no qual está a descarga de peso
Transferência de Energia – quando você identifica a
direção e a intensidade da energia mecânica de um movimento e este produz o
próximo movimento; usada também para explicar a condução de estimulo feita nas mãos,
braços e tronco do seguidor que devem ser transferidos para a sola dos pés
podendo produzir um passo(deslocamento) ou um pivot.
Energia contrátil e energia elástica – o musculo
produz energia através de sua estrutura contrátil, as fibras musculares e a
traves do armazenamento de energia nos tecidos conjuntivos (tendões e fáscia).
Relação – tipos de condução –
Descritiva – condutor descreve 100% da trajetória
do movimento as seguidor
Proposta - o condutor mostra a intenção do movimento
porem seguidor participa de forma intencional na realização do movimento
Combinada –
quando a condução pressupõe um conhecimento préveo de ambos e não apenas a
transferência de energia e a responsável pela produção do movimento, ela pode
ser total ou parcialmente combinada, um sinônimo -condução por mini
coreografias.
TMPC - Técnica do movimento passivo de cabeça aplicada a Lambada e ao Zouk Brasileiro
Rodrigo Delano em Belo Horizonte, em
meados de 1998 iniciou o trabalho de exploração corporal norteado na
perspectiva dos “sistemas dinâmicos”, criando essa nova técnica.
Antes uma breve introdução da
história da lambada e do Zouk Brasileiro, um dos termos usados para designar
essa nova dança que surgiu após a lambada , existem ainda muitas controvérsias
sobre a melhor terminologia , mas essa é uma longa discussão.
Introdução:
A lambada
foi uma febre mundial na década de 80/90, tendo como características fortes a agilidade
dos dançarinos que desfilavam nos salões; repertórios repletos de energia e
sensualidade; com giros rápidos , movimentos explosivos de cabeça usados geralmente
em finalizações de passos e grandes cambrés. Galera a lambada é pura
energia!!!!
O
Zouk Brasileiro por sua vez, poderíamos dizer que evoluiu a partir da base da
lambada, porém com movimentos mais suaves e fluidos possibilitando assim uma
maior utilização de movimentos de cabeça uma vez que estes poderiam ser feitos
em momentos rápidos como na lambada e em momentos lentos de continuação e não
apenas de finalização.
A Técnica Passiva independe do ritmo ou do
estilo, ela é uma técnica referente a forma de se produzir um movimento de
cabeça .
Antes
uma definição fisiológica de Movimento Ativo e Movimento Passivo.
Movimento
Ativo: feito através da contração da musculatura responsável por determinado
movimento. Ex: movimento ativo de flexão de cotovelo, o principal músculo é o
bíceps, ele contrai e realiza o movimento.
Movimento
Passivo: a musculatura responsável pelo movimento em questão está relaxada,
então quem faz o movimento? Pode ser a ação da gravidade, outra pessoa ajudando
no movimento, um aparelho que faça o movimento ou até o próprio corpo em ação
produz alguns movimentos passivos (TMPC).
Técnica
do Movimento Passivo de Cabeça:
O
movimento inicia no tronco, parte superior que reflete no pescoço e por
conseqüência produz o movimento de cabeça, que pode ser reto ou circular, ou
seja, o movimento é passivo em relação a musculatura do pescoço que é a
responsável pelos movimentos de cabeça.
Técnica
Ativa:
O
movimento inicia com a contração voluntaria da musculatura do pescoço podendo ter
sido conduzida ou coloca como um enfeite* mais usada para movimentos rápidos e
explosivos.
* Enfeite : movimento colocado durante a dança que não tem função
estrutural apenas com objetivo de valorizar o momento , geralmente usado
individualmente , pode ser um recurso para interpretar a musica , porém
independe da condução do parceiro.
Características
do Movimento Passivo:
Como
a cabeça se movimenta “seguindo” o tronco; o seu movimento inicia levemente
atrasado em relação ao tronco; que por sua vez quando o corpo para a cabeça
ainda continua passivamente produzindo o efeito de finalização do movimento (a
jogada de cabelo). Uma vivencia simples para entender essa característica:
Em
pé com os braços relaxados inicie um giro, repare que os braços demoram mais
que o corpo para iniciar o movimento, porém depois acompanham igualmente. Agora
pare bruscamente, repare que os braços passam do corpo, pois, estes continuam
passivamente seguindo a inércia do movimento.
Bases
da criação dessa técnica
Bases
filosóficas trazidas da fisioterapia: importância maior da função do movimento antes
da estética. Ex: paciente “Pedro” com Paralisia Cerebral do ambulatório de
fisioterapia da UFMG em 1998,que após 6 meses de tratamento conseguiu
estabilizar a cabeça , mesmo que inclinada , possibilitando assim que sua mãe
pudesse alimentá-lo sem ter que segurar sua cabeça .
Bases
fisiológicas: movimentos articulares circulares lentos promovem o relaxamento
da musculatura que passa por essa articulação.
Benefícios
da Técnica
Em
especial a região do ombro e pescoço acumulam grande parte das tensões do dia a
dia, essa técnica por ser em grande parte lenta e contínua contribui para o
relaxamento e alongamento dessa musculatura. Diminuição significativa na
tontura durante os movimentos uma vez que a aceleração e a frenagem da cabeça são
mais lentos diminuindo a perturbação labiríntica assim por conseqüência a
tonteira.
Possibilidades
criadas com a TMPC
Essa
técnica possibilitou a utilização de movimentos de cabeça involuntários de
continuação e não apenas de finalizações e o surgimento de novos movimentos no
Zouk como: Frango Assado, Volta ao Mundo, Rolê e o Espiral. Além de releituras
de movimentos consagrados como o Peão de Cabeça que com essa nova técnica é
feito com uma roupagem diferente.
Considerações
Finais:
A
TMPC vem para somar possibilidades da técnica ativa existente. Alguns
movimentos podem iniciar com a técnica passiva e durante sua execução ser
potencializada pelo dançarino passando agora para a ativa, ou seja, fazendo uma
fusão das técnicas.
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